domingo, 21 de Junho de 2009

O CORAÇÃO DA CIDADE

Hoje
descobri flores
nas paredes frias desta cidade
cheia de pessoas distantes...
e sentei-me comigo própria
a pensar a multidão
tão perto e tão longe...


Mas eu estava viva
ardia por dentro
e percorri-me até ao infinito
de mim e dos outros...


Os outros que estavam lá,
de olhares perdidos
num horizonte de rotinas,
às vezes já só pelo hábito
de serem rotina...


e a cidade ficou tão vazia
(estava eu só dentro dela!)


Arminda Branca M.V.Pinto
Porto, 20-03-1980

53 comentários:

Duarte disse...

Pode-se estar rodeado e sentir-se só. Mais ainda nestes dias de tanto calor nos que até as ideias e os conceitos se alteram.

Gostei muito desta reflexão tua, sim, é o vivo retrato duma realidade.

Que sejas muito feliz, sempre.

Graça disse...

Há paredes frias na cidade... há pessoas distantes de olhares perdidos... e depois, há as tuas belas palavras, que batem compassadamente ao ritmo da poesia, nesse coração lindo, que é o teu.


Um beijo meu, querida Branca

Vivian disse...

...é a eterna solitude
que habita em nós
desde sempre!

não há como fugir dela,
mesmo em meio à multidão
de sós...

bj, querida poetisa!

Menina do Rio disse...

As vezes nos pegamos assim, a sós, entre tantos, mas mesmo na frieza solitária, há flores, há vida...

Beijo pra ti

Observador disse...

Lindo texto.

Osvaldo disse...

Olá Branca;

São os problemas das grandes cidades,... de todas as grandes cidades!.
E se hoje, numa grande cidade alguém ao se cruzar contigo diz bom dia, acrdita que não é para ti, é porque ele está a falar ao telemovel...

Belo tema trouxeste para aqui, porqe além de bem escrito, faz reflectir a quem o lê.

bjs, Branca.
Osvaldo

amigona avó e a neta princesa disse...

Gosto de te ler! Um abraço...

Fernando Santos (Chana) disse...

Olá Branca, belo texto...Espectacular....
Beijos

f@ disse...

Olá Branca,
Hoje as flores da cidade foram regadas gota a gota…
De vida e de sentir o calor emanado delas e de ti…
infinito sempre que o horizonte é amplo como o teu onde a rotina tem sabor a gelado de morango…
Branco o chantily como doce de ti…
...

Imenso beijinho

Lumife disse...

Transformei o FIM num INTERVALO...

Podes visitar-me de novo.

Sabes o que são saudades...?

Beijos

elvira carvalho disse...

A pior solidão é aquela que acontece no meio da multidão.
Um abraço e tudo de bom para si.
Ah! Bom S. João

Avelaneira Florida disse...

Querida Brancamar,

e nem sempre a solidão impera na cidade e nos silencios ... sobretudo quando alguém escuta de/ e com o coração...e está atenta à vida em seu redor...

TUDO DE BOM!!!!
Bjkas!

Paulo disse...

["]

(estava eu só dentro dela!)

["]

ser assim, em dacalque, é estender-te um beijo, mais uma vez

[...]

em resumo, este poema É:

a menina que há em TI, re.lembrada agora, na senhora que és e serás sempre

[...]

sempre

[.]

um beijo meu.

Fatima disse...

Branca
É assustadora a frieza das pessoas com quem nos cruzamos.
Na minha terra natal, as pessoas cumprimentam-se quando se cruzam nas ruas, conheçam-se ou não....
É isso que faz com que os muros de pedra estejam permanentemente floridos!

O Profeta disse...

Nascem a todo o instante
Os sentires vindos da alma
Tatuados a cada semblante

Um beijo na tua procura
Um abraço fica suspenso
Um sorriso desponta da tristeza
Um olhar prende o momento


Boa semana



Doce beijo

f@ disse...

Branca,

a beleza das asas...

imenso beijinho

fj disse...

recuando no tempo. escrito por ti em 1980.

é uma realidade nos temposde hoje.
Mas depois de ler alguns dos comentarios deixados...

- eu ainda andava na escola...
- Não havia telemoveis...
- As pessoas ainda diziam Adeus...
- Não existia a frieza dos dias de hoje..
- A internet não existia ao nivel de hoje.

por fim:
Gosto de te ler!...
:))
Beijinhos

Maria Clarinda disse...

(...)Os outros que estavam lá,
de olhares perdidos
num horizonte de rotinas,
às vezes já só pelo hábito
de serem rotina...


e a cidade ficou tão vazia
(estava eu só dentro dela!)


Lindo!!!Jinhos mil

CA disse...

Querida Branca,
Lindo!!!!!
Beijinho
CA

Susana disse...

Boa tarde, Brancamar!!

Quero agradecer-lhe, em nome da organização da blogagem colectiva Aldeia da minha vida, por ter participado, na qualidade de leitor , eleitor e pelo seu contributo para o sucesso da mesma.

Dia 30 de Junho serão publicados os resultados.
Até lá, um bom fim de semana!

Susana Falhas

andorinha disse...

No coração da cidade há tanta coisa que desconhecemos. Tanta solidão disfarçada de indiferença. Tanto desejo de vida escondido nas rotinas.

Um beijo, Branca, aí, contigo.

Xanfrada disse...

Olá Tia Branca,

em 1980 era eu catraia e achava que o Mundo era lindo e justo. Recentemente voltei (pela enésima vez) a ter a certeza de que nos tratam de acordo com o invólucro: tipo de roupa, acessórios, se anda de cadeira de rodas, se não anda, enfim, sabe do que falo.
Não tenho "viajado" pela cidade, ando naqueles circuitos curtos casa/hospital/casa. Até tenho medo de voltar á frieza das ruas cheias de gente.
Depois se verá. Se eu sentir medo venho esconder-me aqui, pode ser?

Grande beijo.

Brancamar disse...

Olá miúda "Xanfrada",

Em Março 1980 eu era uma jovem de 28 anos, hoje escreveria este poema de outra forma, apesar de as cidades serem porventura mais frias, mas nunca diria: "(estava eu só dentro dela)" - presunção própria da tenra idade, de quem pretende ser a única inteligente numa multidão alienada. É evidente que a poesia leva os sentimentos ao extremo em determinado momento, é evidente que a alienação é ainda maior, em virtude do consumismo desenfreado dos últimos anos e de uma grande normalização que há sempre em todas as sociedades evoluídas(?), mas tenho ao longo da vida encontrado dentro da cidade pessoas que são de uma riqueza interior ímpar e que fazem a diferença e ainda são muitas felizmente, da minha geração, mais velhas, mas também muitos jovens, o que me enche de orgulho porque é sinal que apesar de tudo os bons exemplos passam.
Os problemas de fundo são sempre os mesmos, talvez pior a falta de tempo para os outros a que nos obriga a vida profissional, mas mesmo assim encontro na minha cidade muitos nichos de afectividade e boa convivência.
Não tens que ter medo, eheh, sei que falas um bocadinho a sério, um bocadinho a brincar, mas as cidades não comem ninguém, se lhes abrirmos os braços, elas também nos abrem os seus, sabes que eu sou teimosamente optimista. O que me mói mais na cidade são as estruturas, o trânsito, os horários apertados.
Claro que podes sempre vir esconder-te aqui, debaixo da minha asa. :))
Mil beijinhos

A todos os amigos que vão passando, peço desculpa pelo pouco tempo que tenho tido para vós, prometo que nos próximos dias passarei por todos, como aliás já fiz ontem com alguns.
Beijinhos

Paulo disse...

e volto

:)

ou re.volto

para te deixar o beijo,

de amizade,

e o desejo de um bom fim de semana.

Fragmentos Betty Martins disse...

._________querida Branca



.as



palavras



.doces


envolvidas em mansa chuva


.aceite______entre duas sílabas

como um pássaro_______d´asas finas

procurando
o infinito_________...




_____________///




belo o teu poema








beijO_____ternO
bFSemana

f@ disse...

Branquinha,
bom fim de semana...
asas de borboleta

imenso beijinho

isabel mendes ferreira disse...

e voltei. a esta cidade. aqui em metáfora.

de luz.

deixo aquele abraço. que os dias prolongaram.


bom fim de semana Branca(de alva).

Isabel disse...

eu é que agradeço.






beijo.
(imf)

Papoila disse...

Olá Branca:
Hoje a cidade veste-se de cinzento e envolve-se de pingas de chuva...
Lindo poema para quem vagueia a solo pela cidade...
Beijos

JOY disse...

Olá Branca,

Passei para te lêr e cumprimentar.

Abraço forte
Joy

Vieira Calado disse...

Mas... amiga,

há sempre flores dentro da cidade.

Temos de descobri-las.

E então já não estaremos sós!


Beijinhosss

Tite disse...

Brancamar,

A cidade não ficou tão vazia assim porque tu estavas dentro dela.

Só tu és um ... MUNDO!

Graça disse...

Querida Branca,

vim deixar-te um sorriso imenso para a tua semana...

... e, pois claro, um beijo meu!

Menina Marota disse...

As flores que habitam em nós... e no perfume que delas emanam.

Beijinho e uma excelente semana ;)

Duarte disse...

Obrigado.
Conseguiste emocionar-me...

SEM QUERER

A humidade que cria a emoção,
fez que uma gota terna e cálida
deslize pelas minhas faces,
até ao canto da boca;
para deixar o sabor a salgado,
como o do nosso mar;
que se foi fazendo doce,
ao perceber a alegria
das marchas populares,
que fazem inchar o peito,
para proferir com orgulho,
sou português.

Beijo-te, fruto da emoção provocada na alusão às quadras que fiz à minha amiga Maria João "Juani"...
Nunca ninguém me disse nada tão bonito.
Estou-te infinitamente reconhecido... e agradecido.

Lisa disse...

Olá miga Branca,

Gostei muito deste texto.

Tenho andado bastante ausente, mas está no meu coração.

Beijo grande

Lisa

Isamar disse...

Um poema lindíssimo. Mais um de entre os muitos que tens feito.

Bem-hajas!

Desculpa a ausência.

Beijinhos

Ana disse...

Há poemas a que o tempo não tira a beleza... e a verdade.

"Mas eu estava viva
ardia por dentro
e percorri-me até ao infinito
de mim e dos outros... "

Um beijo grande, Branca.

Susana disse...

Olá Brancamar!

A blogagem da Aldeia da Minha Vida foi um grande sucesso, graças à sua participação e divulgação.

Convido-o(a) a participar na próxima blogagem de Julho “ Férias na Minha Terra”.

É uma oportunidade única para demonstrar a todos que vale a pena passar férias no nosso país, especialmente na nossa querida terra, seja ela aldeia, vila ou cidade.

Inscreva-se e mande o seu texto até 7 de Julho para o seguinte e-mail: aminhaldeia@sapo.pt

Para premiar a sua participação, vamos atribuir ao melhor post um fantástico prémio e ao melhor comentário também.

Muito obrigado pela sua atenção!

Votos de um feliz dia!

Susana Falhas

maresia_mar disse...

Olá minha querida,
tens toda a razão, a frieza com que se vive nas grandes cidades é incrivel! Eu tenho a sorte de viver num sitio pequeno onde as pessoas se cumprimentam pelo nome...
Adoro o que escreves!
até já
Bjhs

Paulo disse...

e,

venho deixar-TE

um beijo

e,

o desejo de um bom fim de semana.

:)

Graça disse...

Querida Branca,


que o teu fim de semana seja magnífico.


Um beijo com carinho

JOY disse...

Olá Branca

Passei para te cumprimentar e desejar um bom fim de semmana.


Abraço forte
Joy

LUZ disse...

ola Branca

Vim ler umas palavra tuas, lindas omo sempre ;)

bom domingo, beijinhos, Lina

O Profeta disse...

Mas os golfinhos continuam felizes
A cavalgar ondas de madrepérola
A Lua sorri tristemente e pensa
Haverá alguém mais perverso do que ela?
Haverá?! Há sempre uma deusa perdida
Nos labirintos da contradição
Há sempre alguém que usa a palavra amor
Soprando doce veneno ao coração

Boa semana


Doce beijo

Zé Povinho disse...

Quando o pensamento vai além do corpo em que estamos geralmente confinados...
Bonito
Abraço do Zé

Deusa Odoyá disse...

Olá! minha nova amiga.
Um poema qu me emocionou muito.
Semprena penúmbra de uma solidão, existiram flores e renascimentos.
Seu poema é lindo...
Adorei seu cantinho e estarei sempre presente aqui.
Beijos de muita paz, luz e bençãos.
Abraços de ternura de sua nova amiga.

Regina Coeli

Odele Souza disse...

Querida Branca,

Quantas vezes estamos rodeadas de pessoas e nos sentimos sós...

Um lindo texto este.

Deixo-te um forte abraço.

Sonia Schmorantz disse...

Que lindo!
beijo

Paulo disse...

[50]

um beijo

e,

o desejo de um bom fim de semana.

.b.r.a.n.c.a.

:)

Lídia Borges disse...

O "andar solitário entre as gentes" é cada vez mais uma realidade dos nossos dias.

Lindo este poema de urbanidades feito.



L.B.

pin gente disse...

tantas vezes me sinto assim... sozinha num mar de gente!
um beijo, branca
luísa

Angelina Sá disse...

É bom sentir a ternura de tão bela poesia, parabéns.