A minha casa tem ar condicionado,
chão de alcatifa,
um cão e um gato,
um jardim;
- e um aviso:
proibido a estranhos.
A minha casa tem varanda,
donde se avista um bairro de luxo
- e os que dormem na rua.
A minha casa tem amigos ricos
e simpáticos
- que nunca falam de vencimentos em atraso.
A minha casa tem uma biblioteca cheia de livros,
- que cheira ao mofo da minha vaidade.
A minha casa tem cortinas nas janelas,
quadros nas paredes
e flores na mesa
- para esquecer as casas que não têm tecto,
as janelas que não têm vidros,
as mesas que não têm pão.
A minha casa tem portas duplas
e fechadura de segurança,
- para me sentir bem protegido
dos marginais.
A minha casa tem uma sala de jantar
onde se come todos os dias
e, nela, uma televisão a cores
- que mostra cenas de fome
dum país distante.
A minha casa tem electrodomésticos suficientes
- para levar ao limite
a paciência dos pobres.
chão de alcatifa,
um cão e um gato,
um jardim;
- e um aviso:
proibido a estranhos.
A minha casa tem varanda,
donde se avista um bairro de luxo
- e os que dormem na rua.
A minha casa tem amigos ricos
e simpáticos
- que nunca falam de vencimentos em atraso.
A minha casa tem uma biblioteca cheia de livros,
- que cheira ao mofo da minha vaidade.
A minha casa tem cortinas nas janelas,
quadros nas paredes
e flores na mesa
- para esquecer as casas que não têm tecto,
as janelas que não têm vidros,
as mesas que não têm pão.
A minha casa tem portas duplas
e fechadura de segurança,
- para me sentir bem protegido
dos marginais.
A minha casa tem uma sala de jantar
onde se come todos os dias
e, nela, uma televisão a cores
- que mostra cenas de fome
dum país distante.
A minha casa tem electrodomésticos suficientes
- para levar ao limite
a paciência dos pobres.

A minha casa tem…
(In Deserto Sul) – Luanda - 1988






44 comentários:
Branca!
Que "murro no estômago" nos dá o Frei Dias com estas palavras.
Era bom se em todas as casas houvesse, caridade e amor pelo próximo.
Um beijo
Filomena
Há coisas que fazem algum sentido em certas sociedades, e contrastam em tudo com as carências que se verificam noutros lados. Há a busca do conforto, razoável, e há o que nos ofende por ser apenas ostentação e exibicionismo. Tudo isto porque vivemos numa sociedade onde cada vez mais se notam as assimetrias e a desigualdade.
O Zé Povinho
Perdão, esqueci-me de mencionar que a fotografia do antigo casino de Sintra me fez deter-me mais e comentar, hoje.
Abraço do Zé
Querida Filomena,
estava a abrir o computador, acabada de chegar de um arraial a favor das missões dos Franciscanos Capuchinhos, onde está o Frei Manuel,autor deste poema e de muitos outros interessantes,que estão compilados em vários livros e revistas. É um padre missionário, que foi director da casa dos capuchinhos em Luanda, onde esteve creio que mais de 30 anos, atravessou a Guerra Colonial e Civil e mais recentemente foi para Timor abrir uma casa da mesma ordem.
Gostei muito de a ver por aqui e agraceço-lhe a forma como entendeu a mensagem, porque ela é sem dúvida incomodativa.
Já tinha saudades da sua sensibilidade e ternura, mas vou vendo-a lá pelos seus espaços e pelo Jaime.
Beijinhos.
Zé Povinho,
Gostei de o ter por aqui, acho que já em tempos me visitou e é sempre vem vindo. Peço desculpa se por vezes a falta de disponibiliddae de tempo não me permite chegar a todos com a rapidez que seria desejável.
Obrigada pela sua informação, porque usei fotografias da net e como não conhecia o antigo casinho de Sintra, nem estava identificado, usei a imagem com alguma ingenuidade, por ter um estilo apalaçado. Mas aqui o que importa é a metáfora do contraste entre as imagens.
Volte sempre.
Beijinhos
Comovente, mas certo.
A sociedade na que vivemos só pensa na ostentação enquanto muitos outros passam fome, ou nem tem donde abrigar-se.
Assim é de desigual este habitat no qual compartimos mesa.
Fizeste bem em trazer-nos aqui esta bela mensagem. Convém divulgar, pode servir de lenitivo para uns e reflexão para outros.
Beijinhos
Um poema que faz pensar, sim.
E hoje, porque é hoje, um beijo com todo o carinho para a Branca-Mãe.
Um poema que é uma pedrada no charco da nossa consciência.
Não conhecia o autor. Obrigada pela partilha.
Um abraço e feliz Dia das Mães
Obrigada por mais um poema lindo.
É para reflectir e muito, temos muito que agradecer por termos uma casa com tudo o que o poema mostra e por vezes ainda nos revoltamos.
Bom fim de semana, bj.
Gena
Olá Branca;
Esta bela e real crónica de desigualdades do Frei Rito Dias, tem o dom de mexer com as sensibilidades mais "distraídas" que se esquecem de olhar para o lado ou por vezes de fecham os olhos quando as imagens nãos lhes interessam ou incomodam.
Claro que o poema é figurativo e não se pode generalizar porque nem todos os que têm tudo isso são "crápulas" e não ligam para a miséria alheia, mas provávelmente que chegou a essa condição de ditos "novos ricos" por vias travessas, esquece rápido os tempos difíceis desta caminhada.
Eu até acho que em general o povo latino é um povo solidário, mas, como em tudo na vida, há as suas excessões.
Obrigado, Branca por tocar na "ferida" a muita gente...
bjs
Osvaldo
querida Branca minha querida
tu és o exemplo m.a.y.o.r. de tantas as mães.
que sigo no tempo que passa.
venho agradecer-TE o carinho e retribuir o gesto com que me acrescentas.
e nunca esquecerei a soberba mulher que és, há tanto minha "mãe" também.
[sabes disso _____________ ]
um feliz dia da mãe.
adoro-TE sempre e sempre e sempre.
Branca:
Um fantástico poema que alerta de modo gritante as desigualdades será que as conciências acordam?
Hoje é Dia da Mãe. Venho deixar-te um abraço.
Beijos
Pois aqui está um poema que toca bem fundo...é a guerra das desigualdades, pena que no inventário dessas casas que têm tudo em muitas delas falta o essencial,
O Amor
Beijinhos e feliz dia da Mãe
Linda
Branca
Desejo-lhe um feliz dia da Mãe
junto dos seus.
beijinho
Branca, vim para lhe desejar um feliz dia da mãe. Li este poema e fiquei com um nó no estomago. Lindo!
Um abraço!
Deixo-te um beijo grande e um abraço apertado com a mais pura amizade.
Bem-hajas!
Beijinhos
Olá branca,
..
B E L O poema...
imensoooo beijinhos
Querida amiga,
Passei por cá para desejar um Feliz Dia da Mãe a uma amiga e super-mãe maravilhosa e acabei por encontrar este post fantástico que nos pôe a pensar... É um verdadeiro "agitar" de águas que nos faz acordar para as frivolidades em que tantas vezes perdemos as nossas vidas...
Um grande, grande beijinho
Brancamar
Este poema diz tudo sobre as pessoas que até são de "esquerda" por irreverência, para dar uma nota de vanguarda às suas vidas ociosas mas que são incapazes de perceber que só da partilha se retira dignidade.
Porque a caridade humilha, hierarquiza e fere sensibilidades, lutemos pois para que a justiça social se cumpra e que entre o máximo e o mínimo não exista essa diferença tenebrosa. Porque os 500 mais ricos (repara só 500) consomem os recursos equivalentes a 46 milhões dos mais pobres.
Branca, nunca é demais gritar. E este poema é um grito sublime.
Abraço
Corrijo o erro na resposta a Zé Povinho, de "vem vindo" para "bem vindo".
A todos o meu obrigada pelas interessantes reflexões que têm feito à volta deste poema.
Olá.
Continuas do mesmo lado... a amiga que eu conheci, não mudou nadinha, apenas talvez amadureceu. As grandes causas continuam no teu horizonte e não é nada fácil.
Continua, se puderes.
Bjs.
Judite
Um Poema com alma grande. Impressionante.
Um beijo.
soberbo o que se tem aqui.
o meu abraço.
reconhecido.
--------------tocante.
Brancamar
Com é um a pedra no sapato quem lê este poema belissimo que põe exactamente o dedo na ferida
um beijo enorme lindas as fotos .também não sabia que aquele palácio era o casino de sintra.
beijos
Não consigo dizer nada.
A Filomena disse tudo.
Beijinhos muitos, querida Branca.
Joana
Deixo-te um beijo muito grande e um abraço apertado com a mais pura amizade.
Bem-hajas!
Brancamar,
inventário despido de todos os mundanismos!!!!!
Como seria afixá-lo em outdoors em todas as estradas e praças??
Ainda seria capaz de despertar consciências????
Bjkas!!!
ora escrito em 1988...este frei vivia bem!
:P
"A minha casa tem uma sala de jantar onde não se come todos os dias e, nela, uma televisão a P/B sem imagem"
Beijos Branca
esqueci ...
como na cozinha...e não tenho televisão.!!!
um belo inventário tão pobre como a imagem de baixo!
3 em 1!
eheeh!!!
/ (este foi um comentario de um colega)
Olá Branca, belo post...Excelente....
Beijos
Olá,
Sem comentários...
Ou melhor, adorei!!
Bjs
Que bom seria se todas as casas tivessem. e tivessem, e tivessem....
Abraço
CUBATAS.
Cubatas…
Todas iguais…
Feitas de adobos…
E de palha…
Com salas amplas…
Com o luando no chão…
Onde todos viviam…
Onde todos dormiam…
E nessas cubatas…
Sem sofás…
Sem aparadores…
E cristais…
Estavam apenas ...
Cubatas…
De chão vermelho…
De barro batido…
Sem cortinas…
Mas na cubata…
Havia família…
O pai… a mãe…
Os filhos…tios e tias…
Primos e primas…
E ao redor da comida…
Da fuba fresquinha…
Da mandioca…
E da banana assada…
Comiam …
Enrolavam nos seus dedos...
A funge…
Contavam histórias…
Os “séculos” sabiam tudo…
E todos escutavam…
E mesmo sem nada…
A felicidade de terem…
Apenas o amor
como riqueza...
E nós sentiamos ...
Que o amor...
Pairava no ar…
Lili Laranjo
BRANCAMAR
Querida Amiga,
Gosto sempre das Suas visitas ao meu blogue mas fiquei com a sensação de que não leu uma página que Lhe dediquei, Escuridão ou Brilho!
Faça-me o favor de a ler e de me dizer qualquer coisa.
Um grande beijinho, Seu
Jaime Latino Ferreira
Estoril, 8 de Maio de 2009
Vim só deixar um beijito e desejar BFS
Beijinhos
He visto aquí sugerentes imágenes, palabras que expresan mucho de la sensibilidad, el color nos caliente el alma.
Hasta pronto!
http://translate.google.com/translate?js=n&prev=_t&hl=ro&ie=UTF-8&u=www.geaninacodita.blogspot.com&sl=ro&tl=es&history_state0=ro%7Ces%7CAm%2520vazut%2520aici%2520imagini%2520sugestive%252C%2520cuvinte%2520ce%2520exprima%2520multa%2520sensibilitate%252C%2520culoare%2520ce%2520ne%2520incalzeste%2520sufletul.%250APe%2520cur%25C3%25A2nd%21
querida muito querida branca
e __________________ re.volto
[também]
para te deixar o teu beijo de boa noite.
um bom fim de semana.
:))
Querida Brancamar,
O mundo é tão cheio de constrastes. De tristes contrastes. Uma casa tem em excesso, outra nada tem. Em uma casa, joga-se comida no lixo, em outra as pessoas não têm o que comer. Tristes contrastes.
Deixo-te um forte abraço.
É a triste realidade...alguns de nós nada fazemos para a mudar...bem-haja quem se incomoda...
Branca deixo um abraço apertado e um molho de saudades para entregares à nossa amiga...encontro-a por aí noutros blogues mas nunca mais me visitou...
Não conhecia o Frei Manuel Rito Dias,a simplicidade com que escreve sobre as coisas mais simples.
Valeu a pena conhecer o teu blogue.
Obrigada.
Céci
outra vez aqui...teu blog é mais que super...humano, lindo, cheio de maravilhosos sentimentos e fotos,
Vc. é fantastica, mando um enorme beijo,
myra
Esta não é só poesia...
é a triste realidade em África.
A tua sensibilidade, sensibiliza-me.
Beijosssssss
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