sábado, 31 de Outubro de 2009

TERRA MOLHADA...

Foto daqui

Este cheiro
a terra molhada
agarrado ao meu corpo…
Este perfume
das flores do campo
nos meus sentidos…
Esta noite
que canta nas batidas
da chuva
e me envolve no seu mistério…

Como o silêncio
que tem o teu perfume
e o teu rosto repousado
a meu lado
e os teus beijos
que são espuma do mar…
e os teus braços
e os teus abraços…

Este mistério da noite
no mistério de sermos nós!


Gondomar, 11-09-1974

domingo, 18 de Outubro de 2009

TODAS AS VIAGENS SÃO POSSÍVEIS

(Foto de Frei Mário Rito Dias)


Já não preciso de palavras,
meu amigo,
apenas a ternura a crescer
nas marcas que o tempo traz
ao nosso rosto, não à nossa alma,
apenas o nosso olhar sereno
de quem já viveu batalhas, distâncias, marés,
e dos sonhos e sofrimentos
DEUS sabe quantas vezes estendi até Ele o meu olhar
para percorrer a distância até si,
sempre que não pude estar aí,
onde ouvia o seu silêncio triste e magoado…
Mas, afinal eu estava aí, meu amigo,
porque Deus me fazia sentir a seu lado
quando O escutava em silencio,
e com Ele percorria a sua solidão, a sua dor,
algumas vezes a sua alegria…
(no SEU ESPÌRITO todas as viagens são possíveis!)
Por isso, já não preciso de palavras, meu amigo,
neste silêncio em que me encontro consigo
e escuto a Paz que Deus lhe traz
(Ele sempre nos dá o que merecemos!)
e fico feliz, por O saber sempre a seu lado…


Arminda Branca Mendes Vieira Pinto
Gondomar, 25-01-1991


Dedicado a frei Mário Rito Dias, durante o seu percurso pela Guerra Civil de Angola, em terras de Uíge. Um Hino de Amizade a um padre que foi professor, pai e amigo, eterno, quando as palavras já não são precisas… porque sabemos e sentimos que estamos juntos, porque na Amizade todas as viagens são possíveis…

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

DO PÓ QUE SOU



A quem me vier procurar
digam que não estou
dentro de mim
- só me possui
quem passou na multidão
a sentir nela
a fome de rasgar a carne
e saciar a solidão
desta gente perdida.

Quem vier encontrar
a minha vida
não bata à minha porta
mas agarre a minha mão
e chore comigo
a dor de quem passa.

Ver-me-á
em cada rosto que vem
rir e chorar
e virá gritar comigo
pelo povo que rasga os passos
nas nossas vidas paradas
virá gritar que cravem
o nosso corpo de espadas

E do meu ventre de mulher
nascerão flores e pão
para toda a gente!

Porto – 03-03-1974
(fotos de frei Mário Rito Dias)

sábado, 3 de Outubro de 2009

HOMENAGEM



No próximo dia 31.10, pelas 21.30h, no Auditório Municipal de Gaia, a Associação das Colectividades de Gaia vai homenagear Fernando Peixoto, evocando todo o seu percurso de vida. Será um espectáculo com música, teatro e poesia, com textos de sua autoria.
Os amigos que quiserem reservar os seus convites, façam-no por favor consultando os seguintes links:






A UMA MULHER DO MEU PAÍS


Abre as asas, tu que não desistes
de encontrar as asas nos teus braços
e com eles descobrires novos espaços.

Abre as asas, tu que não desistes
de rasgar, no tempo, o calendário
que preenche, em cada dia, o teu diário.

Abre as asas, tu que não desistes
de mostrar que és viva, e continuas
percorrendo, serena, as mesmas ruas.

Abre as asas, tu que não desistes
de mudar a face da cidade
em ímpetos de arrojo e de vontade.

Abre as asas, tu que não desistes
de enfrentar o sol que te encandeia
e quebra a tua última cadeia.

Abre as asas, amor, e segue em frente
voa sempre, voa sempre, sem cansaço,
e ensina a voar toda esta gente
que continua especada olhando o espaço.


FERNANDO PEIXOTO

In Arca de Ternura



Recordando com ternura e muita saudade o amigo e o Mestre, o poeta, o Historiador e Investigador, o escritor, encenador e tantas searas mais de sabedoria que nos deixou…
Guardamos as sementes, tantas, para florescerem em nós na primavera da nossa alma, sempre que no decorrer dos dias, nos tornarmos dignos do que consigo aprendemos.


Para o querido amigo Fernando Peixoto, as flores da nossa amizade eterna…


Branca e Rita Pinto

quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

OUTONO

(Foto de Frei Mário Rito Dias)


Neste Outono o silêncio é feito de brisas
com histórias de mar ao fundo…

Folhas esvoaçam no vento
como beijos de mil cores…

E nos cheiros da natureza
a alma explode nos sabores
de frutos maduros…

Vejo o pão nascer das minhas mãos
na colheita dos sentidos …

E percorro a estrada dos afectos
na vida por descobrir…


Gondomar, 23 Setembro 2009

domingo, 13 de Setembro de 2009

SIMBIOSE


Estou aqui
neste êxtase
de me sentir multidão,
de ser um povo que amo
e vivo até à medula…

Estou aqui
no teu corpo em festa,
seara imensa
de novas flores de esperança…
- flores que hão-de crescer
do meu corpo lavrado,
pelo teu amor feito arado,

e hão-de ser o pão
que este povo faminto
espera…

Porto, 11-09-1980

sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

RECADO

(Foto de Graça Lopes)

Passam os anos por mim
alegrias, tristezas, cansaços
risos, ternuras, abraços.
Passa a vida, passa o amor,
as saudades, as lágrimas, a dor
e tu estás sempre lá, avó
como se quisesses ainda
esperar-me na esquina
para me dizer “Não corras!”

E eu voltava sempre atrás,
e quando já não me vias, corria,
corria com aquele sorriso imenso,
que me fazia nascer no olhar
duas estrelas de ternura,
e me tornava os passos leves,
como se me emprestasses asas para voar…

E quando chegava ao destino
com a tua auréola de carinho
todos me diziam:
“como os teus olhos brilham
e a tua alma canta
queremos dessas flores
que colheste pelo caminho”,
e eu dava-te,
dava-te de alma cheia,
porque o amor é uma cadeia
que não pára de crescer…

E é por amor que caem lágrimas
e nascem sorrisos de ternura
nestas estrelas que acendeste,
- flores que me ensinaste a plantar –
e me dizem quanto sofreste em silêncio
quanto rezaste e amaste em silêncio
e em silêncio viveste!


TU, que não sabias ler nem escrever,
mas aprendeste no amor tudo da vida
e viveste sempre como Deus quer,
deixando-me este recado à partida:
- Não corras tanto, deixa a vida correr,
e vamos viver agora, este amor, esta amizade,
este pedaço de nós…
sem pressa de chegar
para podermos partir
com os passos ligeiros
e estrelas no olhar…

15-11-1989

quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

A VIDA



Saudades de ti,
do futuro por descobrir,
do mistério por viver…
A vida é sempre
este encontro de nós mesmos
no outro…




(Dedicado ao meu grande amigo Paulo - Intemporal)

domingo, 16 de Agosto de 2009

DESISTE DE BICICLETA DEPOIS DE MULTA

Imagem daqui


Recebi esta notícia por correio electrónico e decidi publicá-la de imediato, porque me surpreendeu pela negativa, porque isto se passava na zona onde trabalho, porque o protagonista, sem que eu soubesse ser professor da Escola Aurélia de Sousa, muito conhecida e de grande tradição, frequentemente parava de bicicleta ao meu lado, na passadeira, ao fim da tarde, à espera que o sinal abrisse para atravessar. Admirava-lhe o exemplo, julgava-o até executivo de uma qualquer empresa, porque no suporte da bicicleta levava sempre o seu casaco, frequentemente clássico e a sua pasta, sempre com grande compostura cívica e respeito por peões e automobilistas.
A notícia apanhou-me de surpresa por reconhecer nela o exemplo que me enchia a alma tantas vezes ao fim de um dia de trabalho e que por incúria dos responsáveis vai desaparecer.


(foto daqui )

"Um professor foi multado por andar de bicicleta num passeio do Porto. José Maria Sá está incrédulo. Diz que só tinha preocupações ambientais. Mas com isto desiste. Vai voltar a andar de carro e talvez comprar uma "Vespa".
O caso deu-se no passado dia 17 de Julho, pelas 18.20 horas, mas José Maria apenas recebeu a multa no passado dia 4. O professor de Geografia da Escola Secundária Aurélia de Sousa, no Porto, regressava a casa de um passeio de bicicleta. No Largo de Campo Lindo subiu ao passeio, para evitar circular em sentido contrário na Rua Costa e Almeida, a dois minutos da sua residência. Andou poucos segundos na bicicleta até ser confrontado por um agente, que saía de uma viatura, estacionada entre a Casa da Cultura da Junta de Freguesia de Paranhos e a Esquadra da PSP.
"Parei para o agente passar. Reconheço que devia ter ignorado o comentário dele de que o passeio era para os peões. Mas fiquei incrédulo e disse-lhe isso mesmo. Ele insistiu e disse que podia ser multado", relata, ao JN, garantindo: "Tenho sempre o máximo de cautela com os peões.
O professor argumentou que em vários países europeus fomenta-se o uso de bicicleta, por questões ambientais, e lamentou o facto de no Porto existirem poucas condições para o uso daquele veículo. "Problema seu", terá respondido o agente, acrescentando: "Isso é lá fora. Aqui é Portugal". José Maria acabou multado em 60 euros, segundo o nº 1 do artº 17º do Código da Estrada .
Foi em Novembro que o professor trocou o automóvel pela bicicleta, inspirado nas realidades que presenciou em vários países europeus e pelo filme de Al Gore "Uma Verdade Inconveniente". "Comprei uma bicicleta de passeio, holandesa, com todas as condições, porque tem custos zero para o ambiente", sublinha.
Mas agora está farto. São diários os casos de mau civismo. E já foi atropelado por um automóvel na Rua da Constituição. A multa foi a gota de água. "Estou cansado e a pensar desistir", diz. José Maria tenciona voltar a usar, assim, o automóvel e talvez comprar uma vespa. "Sei que também é poluente. Mas eu tentei", lamenta.


HERMANA CRUZ
In Jornal de Notícias de 13-08-2009

quinta-feira, 6 de Agosto de 2009

AMIZADE



Tudo o que gostava de vos dizer
tem o perfume das flores
do meu jardim…
por isso deixo-vos com elas
e parto…
para voltar, sempre!