Domingo, 12 de Julho de 2009

EU E O MAR...

(Imagem Daqui )


É no silêncio dos dias
que acrescento o teu olhar
em momentos de maré cheia,
quando a saudade de ti
se confunde com o mar
que me beija na areia…


É no silêncio das memórias
que te encontro ao luar…
na brisa que me despenteia,
é na linha do horizonte,
que me deito a sonhar…
num poente que te incendeia…


Arminda Branca M.V. Pinto
Gondomar, 12 de Julho de 2009

Domingo, 21 de Junho de 2009

O CORAÇÃO DA CIDADE

Hoje
descobri flores
nas paredes frias desta cidade
cheia de pessoas distantes...
e sentei-me comigo própria
a pensar a multidão
tão perto e tão longe...


Mas eu estava viva
ardia por dentro
e percorri-me até ao infinito
de mim e dos outros...


Os outros que estavam lá,
de olhares perdidos
num horizonte de rotinas,
às vezes já só pelo hábito
de serem rotina...


e a cidade ficou tão vazia
(estava eu só dentro dela!)


Arminda Branca M.V.Pinto
Porto, 20-03-1980

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

INTERVALO



Hoje fico apenas meditando,
neste silêncio feito de vós…

Domingo, 31 de Maio de 2009

SERENIDADE

(Fotografia de Teresa Elisa)


Eu queria que tu fosses o mar,
mas o mar é apenas a praia onde me sento,
e onde os meus olhos repousam
a lealdade eterna ao meu ser…


Arminda Branca M.V.Pinto
Gondomar, 31 de Maio de 2009

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

FESTA DA VIDA

(Lembrando Salvador Vaz da Silva e o dia 18 de Maio de 2008)

Há uma saudade que trago
da entrega e da paz
com que em cada dia
caminhamos e crescemos
por caminhos de Luz…

Há uma saudade em mim
que neste dia me lembra sorrisos
vida, alegria, amizade
partilha dos sonhos vividos
caminhos de generosidade…

Há uma certeza que trago
nos dias por onde caminho,
de que na força que quero dar
há uma “Luz terna e suave”,
que dá brilho ao meu olhar…

E é essa “LUZ” que permanece
e nos leva mais longe…


Arminda Branca M.V. Pinto
Gondomar, 18 de Maio de 2009


Domingo, 10 de Maio de 2009

NÃO BASTA

(Foto de Frei Mário Rito Dias)

Não basta andar juntos na vida;
é preciso viver juntos a estrada que se anda.

Não basta comer à mesma mesa;
é preciso amassar o mesmo pão.

Não basta falar a mesma língua;
é preciso encontrar-se na mesma linguagem.

Não basta ir atrás dos outros;
é preciso ir com os outros.

Não basta resolver os problemas dos outros;
é preciso amar os outros e os seus problemas.

Não basta caminhar no mesmo sentido;
é preciso dar um sentido a caminhos diferentes.

Não basta rezar todos a mesma oração;
é preciso rezar a mesma oração por todos.



Frei Manuel Rito Dias
Luanda

Sábado, 2 de Maio de 2009

INVENTÁRIO

A minha casa tem ar condicionado,
chão de alcatifa,
um cão e um gato,
um jardim;
- e um aviso:
proibido a estranhos.

A minha casa tem varanda,
donde se avista um bairro de luxo
- e os que dormem na rua.

A minha casa tem amigos ricos
e simpáticos
- que nunca falam de vencimentos em atraso.

A minha casa tem uma biblioteca cheia de livros,
- que cheira ao mofo da minha vaidade.

A minha casa tem cortinas nas janelas,
quadros nas paredes
e flores na mesa
- para esquecer as casas que não têm tecto,
as janelas que não têm vidros,
as mesas que não têm pão.

A minha casa tem portas duplas
e fechadura de segurança,
- para me sentir bem protegido
dos marginais.

A minha casa tem uma sala de jantar
onde se come todos os dias
e, nela, uma televisão a cores
- que mostra cenas de fome
dum país distante.

A minha casa tem electrodomésticos suficientes
- para levar ao limite
a paciência dos pobres.




A minha casa tem…


Frei Manuel Rito Dias
(In Deserto Sul) – Luanda - 1988

Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

PROCURO-TE


Procuro-te,
na luz suave dos dias,
nos caminhos por descobrir…
enquanto os sonhos teimarem
em romper a dureza do chão...


Arminda Branca M.V. Pinto
Gondomar, 15 de Abril de 2009

Domingo, 29 de Março de 2009


Lembro a luz intensa do teu olhar
e a tua mão na minha mão
naquela noite clara de luar
em que o espanto se fez mar
e as águas nos cobriram
num silêncio de espuma branca…


Lembro a linha do horizonte
quando a noite desceu terna e suave
e tivemos todas as estrelas…


Arminda Branca M. V. Pinto
Gondomar, 29-03-2009

Sexta-feira, 20 de Março de 2009

ENTRE MARGENS DE AFECTOS

(pintura de Manuel Martins)

FICA COMIGO
Gabriela Silva


Fica comigo
Na amargura salgada deste mar
raiz de ti
que em mim plantaste,
nas manhãs em que as nossas mãos
entrelaçadas
sobreviveram ao vento.
Cala este gemido
que sufoca o grito
do adeus indesejado
e fica.
No silêncio rubro
destas noites sem lua
construiremos o paraíso.

O ROUBO DE UM SORRISO
Aida Baptista


"A primeira coisa que lhe disse foi: "Faz-te falta".
- O quê? . disfarçou com o ar de quem se sentia completa.
- O teu sorriso!

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O sorriso fora sempre a sua imagem de marca. Falava a sorrir, cantava a sorrir, comia a sorrir, beijava a sorrir e,mesmo quando dormia, sonhava a sorrir porque cedo aprendera a dominar as convulsões dos pesadelos mais íntimos.

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Se um dia destes, encontrarem alguém com um sorriso desajustado ao rosto, saibam que pertence a esta minha amiga. Foi-lhe roubado num início do ano de 2004.
Do facto dou testemunho para que todas as outras tenham cuidado com os ladrões de sorrisos que por aí andam à solta."

Foi lançado no dia 19 de Março, no Clube Literário do Porto, o livro "Entre margens de Afectos", das duas autoras a que aqui faço referência e das quais deixo um pequeno apontamento da obra agora publicada.

O primeiro lançamento fez-se em Lisboa, no dia 10, na Fundação de Direitos Humanos Pro Dignitate, com o apoio da Drª Maria Barroso.

As pinturas que o ilustram, belíssimas, são de Manuel de Meneses Martins.

A reserva de direitos da obra é oferecida ao Núcleo Regional da Liga Portuguesa contra o Cancro e pode ser adquirido, entre outros locais, na Livraria do CLUBE LITERÁRIO DO PORTO . Coloco-me à disposição para fazer o envio do mesmo, a quem tiver dificuldade em o adquirir por outros meios. O pedido poderá ser feito para brancapinto@gmail.com

Deixo uma referência especial a um amigo meu e de muitos dos que por aqui passam, o André Moa - DIÁRIO DE UM PACIENTE II - que me deu a conhecer esta obra, um guerreiro da vida e cujo pensamento se espelha numa página em branco antes do prefácio do livro:

"Eu quero ser o que para mim ditar a sorte
Eu quero ser o que for
Eu quero ser o que sei que nunca vou saber o que vou ser depois da morte."